10/09/08

A LEI DA PRESERVAÇÃO DA VIDA - PARTE 2

Como já sabemos, Jesus em seu sermão, resgata o verdadeiro sentido da obediência as leis de Deus. Segundo o evangelho de Mateus, a primeira lei abordada por Jesus em seu sermão foi o sexto mandamento registrado em Êxodo 20: 13. Nesta segunda parte vamos ver quais situações que evidenciam a transgressão da lei da preservação da vida. Vejamos a primeira situação.

Jesus diz: "Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento" (Mateus 5: 22); Ele apresenta a primeira situação: a ira sem motivo algum. Aqui precisamos entender que a palavra irar-se identifica um sentimento pecaminoso em relação ao meu próximo. Em outras palavras, Jesus disse: aquele que alimentar o desejo colérico, ou, aquele que nutrir a vontade de atentar contra a vida do seu próximo...

Jesus ensinou que o assassinato começa quando alguém deseja de forma desenfreada, fazer algo que prejudique a vida do seu próximo. Se você possui mágoas, rancor e revolta em relação a alguém, esta já é a porta de entrada para você atentar contra a vida do seu próximo. O assassinato começa no coração quando queremos prejudicar a vida de alguém. O assassinato começa quando alimentamos a maldade em relação a alguma pessoa. Isto é pecado e abominável diante de Deus.

Veja ainda o que Jesus afirma: "todo aquele que sem motivo “se irar contra seu irmão.” O que podemos entender sobre a expressão sem motivos? Simples. Toda e qualquer situação que pareça ser justificado tirar a vida de uma pessoa, ainda sim, não é motivo para matá-la. Vejamos um exemplo. Mesmo que uma pessoa tenha matado alguém da minha família, ou tenha feito algo que fez sofrer a ponto de correr risco de vida, isso não é motivo justo para matá-la.

Não é de nossa responsabilidade aplicar a justiça sobre os criminosos. Esta é uma obrigação dos oficiais e dos magistrados. Por isso, não podemos se quer desejar a morte de alguém e nem alimentar sentimentos que expressam o desejo de violência porque nada pode ser considerado motivo para agredir alguém.

O que me chama muita atenção é quando Jesus diz: “se irar contra seu irmão.” O Mestre aplica essa exortação no ambiente familiar. A base de todo o relacionamento tem seu ponto de partida na família. Tudo se aplica a vida familiar. Logo, todos os problemas que envolvem relacionamento e convivência entre pessoas, sejam de ordem social, política e religiosa têm origem dentro de nossas casas. Jesus nos chama a retratar nossas diferenças e mágoas com os de casa. A transgressão do sexto mandamento tem início entre os irmãos e irmãs.

É importante destacar que relacionar-se com estranhos é muito mais fácil do que com os nossos irmãos. Mas por que isto? A convivência familiar envolve mais intimidade em relação ao outro. Como diz o ditado: coma um kilo de sal com uma pessoa e você saberá quem ela é de verdade. O maior desafio do cristão é desenvolver um relacionamento que visa o crescimento do outro. Mas infelizmente, muitos constroem uma relação motivada pelo desejo da destruição do seu próximo. E isto acontece por motivos banais e fúteis.

Quero encerrar esta meditação dizendo que o nosso alvo como cristãos é alimentar em nosso coração, o desejo de ver o meu irmão crescer. O propósito do relacionamento é promover a edificação de todos os crentes que estão em minha volta. Como disse o apóstolo João: "Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. 10 Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. 11 Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos".(1Jo 2: 9-11). Na próxima meditação veremos a segunda circunstância que conduz a prática do homicídio em nosso meio.

04/09/08

A LEI DA PRESERVAÇÃO DA VIDA – Parte I


Depois que Jesus mostrou qual deve ser a posição do crente em relação ao mundo, agora apresenta quais os princípios que devem ser o referencial para todo aquele que deseja ter como estilo de vida o cristianismo. A primeira lei abordada por Jesus é o sexto mandamento citado no livro de Êxodo 20: 13: não mataras.
Jesus começa dizendo: ouvistes o que foi dito pelos antigos: não mataras...(Mt 5: 21). Muitos interpretam esta frase como se Jesus estivesse desconsiderando a Lei de Deus dada ao povo de Israel através do grande legislador Moises. Se avaliarmos desta forma, estaremos dizendo que Jesus está em contradição com o Antigo Testamento. Mais do que isto, é como se Jesus, o Filho de Deus, estivesse em contradição com a Lei de Deus e como próprio Deus. Ele está em contradição consigo mesmo porque ele é Deus
Jesus não está em contradição com a Lei. Na verdade, quando Jesus faz tal afirmação está se referindo a interpretação distorcida dos fariseus desta lei. Segundo eles, a lei da preservação da vida só é quebrada quando o assassinato é consumado e a vítima está morta de fato.
Contudo, Jesus resgata o verdadeiro sentido desta lei ao dizer: eu porém vos digo... (Mt 5: 22). Ao contrário do que muitos afirmam, Jesus está em total harmonia com a Lei de Deus. Ele mesmo disse: eu não vim revogar a lei, mas vim para cumpri-la (Mt 5: 17). Jesus não veio para descumprir e desconsiderar o que a muitos anos antes Deus já havia dito e ordenado como preceito para o seu povo, mas Jesus veio para viver em obediência total a todas as leis estabelecidas por Deus aos homens.
A primeira lição que desejo compartilhar nesta meditação é que devemos total obediência as leis de Deus. Mas como deve ser a prática desta obediência? Existe um grupo de teólogos e algumas denominações cristãs que seguem a mesma interpretação dos fariseus. Acham que o descumprimento da lei de Deus se dá quando o pecado é consumado por completo.
Não é isto que as escrituras ensinam. Tiago 1: 12-15 diz que o pecado tem inicio na cobiça humana. O pecado nasce quando desejamos e alimentamos no nosso coração aquilo que desagrada a Deus. Por isso Jesus diz: todo aquele que, sem motivo algum, se irar deve ser julgado (Mt 5: 22). Se você deseja tirar a vida de alguém mesmo que não tenha cometido o ato já está pecando e desobedecendo ao sexto mandamento.
Quero encerrar esta primeira parte dizendo que a transgressão do sexto mandamento não é somente atirar com uma arma de fogo contra uma pessoa, ou atacá-la com uma faca para sangrá-la até a morte. O pecado contra a vida humana tem seu ponto de partida em diversas situações que veremos na próxima meditação sobre este mesmo assunto.
Mas até lá, reflita sobre duas verdades únicas ensinadas por Jesus em suas expressões; ouvistes o que foi dito e eu porém voz digo: Jesus é o modelo a ser seguido no cumprimento das leis de Deus. O referencial de critério para saber o que é da vontade de Deus são os princípios estabelecidos e confirmados por Jesus fundamentados nas Leis de Deus. Em seguida, o pecado tem seu ponto de partida não apenas na consumação final do ato mas, no desejo do coração em transgredir a lei de Deus. Jesus veio como homem ao mundo para nos provar que nós, a exemplo dele, podemos vencer o pecado e viver em obediência a Lei de Deus. Porém, isto só acontece quando nos submetemos a Jesus Cristo como nosso único e suficiente salvador e mediador.