Quando se fala em matar alguém, o que vem a mente é um assassinato brutal com alguma arma de fogo ou com uma agressão física violenta. Contudo, já sabemos que para atentar contra a vida, basta você alimentar o desejo de prejudicar uma pessoa, por exemplo: atacá-la com insultos, ou proferir mentiras em relação a ela. Depois de mostrar como alguém pode descumprir o sexto mandamento, Jesus mostra uma atitude muito importante para que possamos evitar o pecado contra a lei da preservação da vida: A reconciliação.Mas antes, faço questão de destacar mais uma vez a expressão “contra seu irmão”. Jesus toca em uma ferida muito profunda da vida dos judeus e, principalmente, daqueles que ensinavam o cumprimento da lei ao povo que eram os fariseus e escribas. Os judeus alimentavam uma inimizade intensa em relação aos samaritanos. Mergulhavam-se em um ódio profundo por causa da opressão militar e política que Roma lhes impunha. Existia um conflito tenso de muitos anos entre os fariseus e saduceus por divergências em relação à interpretação das leis de Deus na Torá. Em resumo, os judeus alimentavam o ódio e a indiferença entre eles mesmos; e na verdade estavam se destruindo aos poucos. Um atentava contra a vida do outro e não percebiam que estavam se matando.
Assim, Jesus os lembra da gravidade do seu pecado contra Deus quando se atacavam entre si. Quantos que estão em nosso meio se agridem verbalmente por pequenas coisas, quantos que se dizem professar a mesma fé, partilham da mesma mesa do Senhor quando comem o pão e bebem o vinho em memória de Cristo, mas vivem proferindo ofensas um contra o outro. Alimentam-se do pão da vida e depois vomitam todo o ódio maléfico como uma serpente que cospe seu poderoso e mortal veneno em sua vítima. Meu Deus! Como podem dizer que possuem a paz, mas estão em uma constante guerra?
Com tudo isso, Jesus então disse: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24 deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta. 25 Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. 26 Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo” (Mt 5: 23-26). Diante deste texto, a pergunta que deve ser feita é: O que se deve fazer para não destruir a vida do meu irmão?Jesus nos ensina a prática da reconciliação. Todos os dias e a cada momento é tempo oportuno para a reconciliação. Não se pode deixar para amanhã aquilo que se deve resolver agora. O próprio Jesus destaca essa urgência quando afirma que devemos deixar a nossa oferta perante o altar para primeiro nos reconciliarmos com o nosso irmão.
Os conflitos, sempre vão existir entre os homens. Não existe a igreja perfeita quando se trata de relacionamento entre cristãos. Todavia, está em nossas mãos o dever e a responsabilidade de promover a restauração de vidas. Assim, a prática da reconciliação é fundamental para que muitos possam sarar suas feridas e enfermidades em Deus.
Veja também outro aspecto importante. Jesus relaciona a prática da reconciliação com a entrega da oferta no altar. O que isto tem a ver com a prática da reconciliação? Simples! A oferta e o altar são elementos que focam a prática do culto a Deus. A nossa vida como um todo é um culto a Deus. Ofereço o meu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus todos os dias em tudo o que faço e tudo o que sou. (Rm 12: 1).
Deus só aceita a nossa adoração e o nosso culto quando buscamos viver em obediência às suas leis. Quem não busca a reconciliação com o seu irmão está pecando contra Deus e por isso, a sua oferta não é aceita por Ele. Quem não busca se reconciliar com seu irmão está atentando contra a vida dele e transgredindo o sexto mandamento: “Não matarás!”
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